quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

PADRE ROCHA – O SARCEDOTE DO TEATRO!

“O inferno está cheio de cabeças de padres”
Frase supostamente dita por Padre Rocha



Padre Antônio Cândido da Rocha (1854-1932), Padre Rocha para os seus conterrâneos, padre, orador, jornalista, professor, Deputado Provincial e Constituinte, Diretor da Escola Normal de Fortaleza e Dramaturgo nasceu no distrito de paz Caatinga do Góis (Ex-União e atual Jaguaruana) - território na época ainda subordinado a Comarca de Aracati – no dia 06 de Fevereiro de 1854. Curiosamente, um ano antes (1853) Dom Luis Antônio dos Santos, o primeiro bispo do Ceará, havia visitado o distrito de paz Caatinga do Góis e Antônio José de Freitas aproveitou o ensejo para sensibilizá-lo sobre necessidade de ali se fundar uma freguesia, haja vista que já existia uma intensa movimentação religiosa capitaneada pela Irmandade de Sant’Ana fundada no dia 31 de maio de 1851. Padre Rocha era filho de José Francisco da Silva Rocha e Tereza Maria de Jesus, aos 19 anos ingressou no Seminário da Diocese de Fortaleza – capital da Província – nos idos de março de 1873. Nesse ínterim, no dia 04 de dezembro de 1863 pela Lei Provincial nº 1083 era instituído a Freguesia de Sant’Ana no distrito de paz Caatinga do Góis, Padre Rocha tinha 9 anos e 10 meses. O vigário da freguesia só viria a ser nomeado por Dom Luis Antônio dos Santos no dia 19 de janeiro de 1864, sendo o pároco escolhido o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo natural de Aracati, o mesmo só viria definitivamente assumir a freguesia no dia 30 de Abril de 1864. Certamente, o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo contribui bastante na vocação sacerdotal de Padre Rocha. Quando tinha 11 anos 7 meses o distrito de paz Caatinga do Góis elevou-se a Vila, mudando o seu nome para União. A Vila de União recém criada já ostenta a fama de formar inúmeros sacerdotes, muitos de seus filhos paroquiaram dezenas de cidades no Ceará, Nordeste e Brasil. Padre Rocha sob a disciplina espartana do Seminário viria receber a prima tonsura (Cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenando ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) com três anos e oito meses de estudos, ritos e orações, precisamente no dia 30 de novembro de 1876. No dia 30 de novembro de 1877, viriam ordens menores na sua graduação monástica. As ordens de subdiaconato e diaconato (Clérigo da segunda ordem, imediatamente inferior ao padre, e que o ajuda no altar durante a missa) seriam nas respectivas datas 27 e 30 de novembro de 1878. O presbiterato (No catolicismo, ordem que confere o sacerdócio) fora lhe concedido no dia 30 de novembro de 1879, a sua primeira missão aconteceu na Igreja-matriz de União no dia 8 de dezembro de 1879, Padre Rocha já estava com 25 anos. Nessa época o vigário da Freguesia de União era o Padre . No dia 3 de Fevereiro de 1880, Padre Rocha assumiria a freguesia de seu torrão natal, aonde iniciaria definitivamente o seu exercício vicariato. Contudo a religião não lhe dava satisfação plena, por isso ele acabou ingressando na política e no magistério. Logrou o êxito de no biênio de 1884/1885 se tornar Deputado Provincial do Estado do Ceará. A Vila de União também ia se desenvolvendo, em 22 de janeiro de 1885 era criado o Poder Judiciário gerido pelo Capitão João Evangelista de Carvalho e Francisco José Marques, seguidos pelo cidadão Francisco Joaquim de Paula. José Severiano de Almeida receberia a nomeação de Tabelião do Júri no dia 23 de janeiro de 1885. Já no dia 12 de Agosto de 1887 nomeou-se vitaliciamente para o ofício de tabelião público e escrivão geral o cidadão Antão Lemos de Almeida, que só veio assumir o cargo em 01 de setembro de 1887. Aos quatorze dias de setembro 1888 criou-se a coletoria das rendas pela tesouraria da Fazenda do Ceará e aprovada através do Aviso nº 109, de 22.10.1888, sendo nomeado o cidadão Francisco das Chagas Rocha como coletor e escrivão o Sr. Antonio Joaquim Ferreira Gondim. Deixou a Freguesia de União no dia 1 de setembro de 1889, dirigindo-se a Capital da Província para continuar na arte do magistério e da política. A Coroa Portuguesa já estava em decadência total e as aspirações republicanas ecoavam pelos quatro cantos do país, tão assim que naquele mesmo ano (1889) no dia 15 de novembro é proclamado a República do Brasil. Os ideais americanos e o lema de Moore encontravam reflexos nos republicanos daqui que desejava aquela liberdade civil. Certamente, Padre Rocha já tinha convicções republicanas até porque o império está com a imagem arranhada perante a Igreja Católica e foi essas convicções que o fez ser Deputado Constituinte de 1891 da Província do Estado do Ceará. A Velha República nascia como uma fotocópia medíocre do exemplo americano, Estados Unidos do Brasil já passava bem a idéia dessa influência. Deve-se lembrar que 1890 (um ano depois da Proclamação da República) houve as discussões e negociações de poderes no novo sistema de governo. Ao pregar a autonomia as Províncias, cada uma delas tiveram que elaborar suas Constituições desde que não fossem contraditórias legalmente a Constituição Federal (conceito da Pirâmide de Hans Kelsen). Padre Rocha contribuiu na feitura da nova Constituição da Província do Ceará. Naquele mesmo ano (1891) no dia 6 de junho de 1891, foi nomeado pelo Governador da Província José Clarindo de Queirós (1841 – 1893) o Diretor da Escola Normal de Fortaleza. Com queda de José Clarindo de Queirós em 16 de Fevereiro de 1892, pela força do golpe de Floriano Peixoto, que queria fora dos governos estaduais todos os aliados de Deodoro da Fonseca. Essa convulsão política dentro da Província fez com Padre Rocha fosse para Norte, precisamente a região do Amazonas, aonde no dia 24 de maio de 1892 foi nomeado Vigário da Freguesia de Fonte Boa (AM) cidade localizada no Sudoeste Amazonense, na região conhecido por Alto Solimões. Curiosamente, um ano antes em 1891 no dia 23 de março Fonte Boa elevou-se a categoria de Vila, a freguesia já existia desde 1858, exatamente no dia 06 de novembro. Não se sabe ao certo, por falta de fontes de pesquisas, quanto tempo Padre Rocha ficou na freguesia. Que se sabe de certo é que ele regressou ao Ceará e no ano de 1895 ingressou no universo do teatro, através de duas peças teatrais tipografadas nas Oficinas Studart, Fortaleza, Rua Formosa n. 46 e publicados sob o pseudônimo Um sacerdote: As Boas Obras (Um drama em três atos), de 56 pp. e Aviso às Moças ou A Meia Pataca (Uma comédia em dois atos), 14 pp. O preâmbulo do teatro jaguaruense, quiçá do Ceará, tem como patrono e pioneiro Padre Rocha. No dia 12 de novembro de 1932, Padre Rocha faleceu na sua cidade natal (Jaguaruana, que na época ainda era União).   
     Moacir Ribeiro da Silva

Na busca incessante de reconstruir a memória jaguaruanense!
Fontes de consulta:
Diccionario Bio-bibliographico Cearense - Barão de Studart
1001 Cearenses Notáveis - Autor F. da Silva Nobre - Impressso pela Casa do Ceará Editora - Rio de Janeiro – 1996
Ceará. Assembléia Legislativa. Memorial Deputado
Pontes Neto.
Os clérigos na Assembléia Provincial do Ceará:
1821-1889/ Coordenação, pesquisa e texto Osmar
Maia Diógenes. _Fortaleza: INESP, 2008.
221 p.;il
ISBN: 978-85-87764-84-3
1. Padres, Deputados Estaduais-Ceará. 2.
Deputados, Biografia. 3. Ceará, Assembléia
Provincial. 4. Instituto de Estudos e Pesquisas sobre
o Desenvolvimento do Estado do Ceará. I. Diógenes,
Osmar Maia. II. Título.
www.jaguaruana.ce.gov.br
pt.wikipedia.org

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