domingo, 31 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 14

“Quero agora a licitude,
A sua paz e o seu perdão
Te peço humildemente
 Que me tire à maldição
Nessa hora tão profana
Me dando a forma humana
Te peço de coração”.

“Dei-me um pouco sua atenção
Pro que agora eu vou dizer
O feitiço monstruoso
Eu não posso desfazer
Até posso, mas não faço
Só pra servir de embaraço
E pra ver você aprender”.

“Mas isso vai perecer
Se uma pessoa bondosa
Diante de sua presença
Rezar com fé poderosa
Cada conta de um rosário
Bem defronte ao Santuário
Da Medalha Milagrosa”.

Essa saga curiosa
Que por ora chega ao fim
Nunca foi fantasiosa
Foi o que contaram a mim
Sei que sou poeta tonto
Mas a história que eu conto
Fora realmente assim.
Fortaleza, 03 de Agosto de 2010
Dia de Sol escaldante
Dedico esse cordel ao grande amigo e há tempos sumido do meu convívio social:
Francisco Antônio da Silva (Chiquinho ou Neguinho)

sábado, 30 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 13


Aquela fatalidade
Que o capeta lhe rogou
Dentro de poucos instantes
Conceição se transformou
Aparentava um mutante
Uma cena apavorante
Que até o Cão se retirou.

A pobre mulher rezou
Ao Senhor tão glorioso
Que Jesus apareceu
Com semblante luminoso:
“Ó Jesus Cristo me acuda
Eu preciso da sua ajuda
Num momento doloroso”.

“Fiquei um tanto pesaroso
Quando tomara a atitude
De acordar com Ferrabrás
Uma coisa sem virtude
Quem se une com a maldade
Prova dela a crueldade
Construindo o seu ataúde”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 12

“Pois pague a agora o que é meu
E deixe de “nove-hora”
Busque seus panos de bunda
E pro inferno “vamo” embora”!
Ana Conceição da Luz
Gritou: “Em nome de Jesus
Ponha-se daqui pra fora”.

O capeta nessa hora
Gritando que nem leão
Praguejou para mulher
Lhe rogando a maldição:
“Ao cantar aquele galo
Tu serás mulher-cavalo
Que é pior que a perdição”.

“Andando nesse mundão
De cidade pra cidade
Procurando os sete filhos
Por toda uma eternidade
Pra aprender que com capeta
Não se faz essa mutreta
E fica na impunidade”.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 11


“Se quiser eu me rastejo,
Suplicando ajoelhada.
Me revele o paradeiro
E qual o rumo da estrada?
Certamente eu vou pagar
O que irás me revelar
Da forma mais adequada”.

“Você já tá endividada
E nem brinque com a sorte
O cruel José Morais
Já beijou a face da morte
O contrato foi cumprido
Cumpra agora o prometido
Que já lhe dei o meu suporte”.

“Dentro de mim, nasceu um corte
Com o que se sucedeu
Eu lhe dou toda razão
E lhe pago o que for seu
Mas lhe suplico piedade
Me diga a localidade
Que o nojento faleceu”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 10

“Eu já sei quem cometeu
Esse fato vergonhoso,
Foi seu pai José Morais
Um caboclo tão maldoso
Que retirando os seus brilhos
Acabou levando os filhos
Prum lugar misterioso”.

“Mas que caboclo engenhoso!”
Disse pobre Conceição
“Onde fica o esconderijo
Daquele ente de ladrão”
Mas o capeta ao falar
Tratando de clarear
Foi dizendo a condição.

“Tenha calma Conceição
Que você tem só um desejo
A sua jura foi de morte
Que farei sem dar bocejo
Já dizer o paradeiro
Dos filhos e do fuleiro
Eu não direi o lugarejo”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 9

Procurando a filharada
Fez na casa uma revista
Percorreu todo recinto
Como um especialista
Que procura por bandido
Os filhos tinham sumido
Sem deixar nenhuma pista.

Aquela mulher simplista
Exclamava para o vento:
“A morte para o facínora!
Eu faço aqui um juramento
Em nome da minha paz
Eu quero que o Satanás
Me atenda nesse momento”.

Ao escutar aquele intento
O capeta apareceu
Perguntando pra Ceição:
“O que foi que sucedeu”?
Conceição lhe explicou
O capeta ponderou:
“Esse caso agora é meu”.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 8

E começou acontecer
Na semana do natal
O seu pai lhe procurando
Com um desejo infernal
De matar a Conceição
E toda a sua geração
Perfurando de punhal.

Conceição lá no curral
E o seu pai na residência
Massacrou o pobre Joaquim
Que não deu nem resistência
Lhe deixou todo cortado
Levando os filhos amados
Sem sentir uma clemência.

E Conceição na inocência
Dirigiu-se a sua morada
Mas ao ver a porta aberta
Fico tão desesperada
Viu somente o seu Joaquim
Envolvido de carmim
Com a sua vida extirpada.

domingo, 24 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 7

Parindo sua geração
Como quem planta semente
Tivera sete crianças
Nascidos naturalmente
E por ser mãe tão exemplar
Nunca foi de maltratar
E nem ser intransigente.

Sua família era decente
Alicerçada no amor
As lembranças de criança
Daquele tempo de dor
Já nem tinha mais na mente
O passado deprimente
Os clamores de horror.

Mas o passado, ó leitor
Ninguém pode se esquecer
Se ficar no esquecimento
Ele pode aparecer
Como uma repetição
Coitada de Conceição
Viu seu mundo perecer.

sábado, 23 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 6

Ela se tornou um jasmim
Quando o amor lhe seqüestrou
Seu Joaquim naquele instante
O coração lhe entregou
Querendo ser mais que amigo
Resolveu lhe dar abrigo
E com ela namorou.

Pouco tempo se casou
Com um homem tão bondoso
Um rapaz trabalhador
Tão viril e cuidadoso
E sua vida tão tristonha
Foi tornando-se risonha
Algo mais que fabuloso.

O caminho doloroso
Que marcara a Conceição
Aquele passado torto
Que amargou seu coração
Foi curado pelo amor
E aquele traço de dor
Tornou-se recordação.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 5

Andejou pra se acabar
Nos caminhos do sertão
A mercê de qualquer sorte
Passando por precisão
Vivia da caridade
E do pouco da bondade
Dos que tinham coração.

Pra aumentar a judiação
Que flagela a pobre vida
Conceição tava buxuda
Mas a filha foi perdida
A coitada nasceu morta
E aquela a sua vida torta
Já não tinha mais saída.

Conceição já tão sofrida
Só sonhava em ver o fim
De matar aquela angústia
De uma sina tão ruim
Mas tudo isso se acabou
Quando o seu olhar esbarrou
Com os olhos de Joaquim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 4

Não lhe deram disciplina
Só lhe deram amargura
E tão assim que Conceição
Foi tornando-se mais dura
Revoltada e rancorosa
Que aquela menina-rosa
Já não tinha mais candura.

Diante de imensa agrura
Resolveu fugir de casa
Afastar-se da família
Voando com a própria asa
Igualmente um caboré
Foi morar no cabaré
Vivendo na noite rasa.

Mas a dor como uma brasa
Não parava de queimar
Ana Conceição da Luz
Mesmo fora do seu lar
Apanhava de cliente
Tratada como indigente
Pelo povo do lugar.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 3

Já seu pai tinha outra sina
Era malandro e ladrão
Que deflorou a própria filha
E não tinha coração
Com fama de matador
Espalhou tanto pavor
Por todo aquele rincão.

Não tivera educação
Nem pisara numa escola
Quando tinha tempo vago
Conceição pedia esmola
Parecia não ter nome
E passava tanta fome
Viciando-se na cola.

Imaginem a cachola
Dessa pobre pequenina
Que sofrendo igual Jesus
E desejava outra sina
De viver na santa paz
Deixando o que for pra trás
Uma vida mais divina.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 2

Esse fato em que me pus
A contar para o leitor
Não tem nada de mentira
É verdade, sim senhor!
Acredite se quiser
O que viveu essa mulher
Foi uma vida só de dor.

Desconhecendo até amor
De Josefa, a genitora
Coitada de Conceição
Era muito sofredora
Porque todo santo dia
A Josefa lhe batia
Ainda era exploradora.

Pois como uma ditadora
Maltratava a tal menina
Obrigando-a cozinhar
E fazer toda faxina
Enquanto ia para o bordel
Pra dançar e tomar mel
Dá dinheiro a cafetina.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
Moacir Morran

Era uma menina pobre
Que nasceu no meu sertão
Criou-se por esse mundo
Sem carinho, zelo e atenção
Conhecendo a crueldade
Dentro duma sociedade
Propulsora da opressão.

Amargando a solidão
De ter sido desprezada
Por seus pais e pelo mundo
Por ninguém quis ser criada
Decidiu ganhar o mundo
Como um pobre vagabundo
Que procura uma morada.

E assim começa jornada
De Ana Conceição da Luz
Filha de José Morais
Com Josefa de Jesus
Nascida no Seridó
No sertão de Caicó
Sentindo o peso da cruz.

domingo, 17 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

- II -

Eu quero render ao rincão tão estimado
A grande afeição que cultivo no peito
Estimo demais o torrão que com jeito
Me fez este homem tão reto e formado
Aqui nessa terra o profano e sagrado
Se beijam no campo do que é popular
Fazendo cultura que é bom preservar
No campo, cidade, na casa e museu
Sem arte e cultura o viver é tão breu
Cantando galope na beira do mar.  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

- I -

Ó terra ubertosa que cinge o meu peito
Com glória e vigor; dois sinais do meu povo
É aqui nessa terra que eu nasço de novo
Rendendo os meus votos de grande respeito
Foi aqui neste solo que fiz o meu jeito
Meu lado poeta que admiro citar
As artes do povo que eu vira brotar
Na essência tão culta de toda uma gente
Eu louvo essa terra de um povo decente
Cantando galope na beira do mar.

LIRA JAGUARUANENSE

ACRÓSTICO E OCITSÓRCA


Já posso agora falar
As coisas de minha terra
Galgando versos de guerra
Ungidos do verbo amar
A força do meu cantar
Ressoa na minha viola
Urrando lá na cachola
A lira feita na hora
Navego o mundo afora
Aprendi sem ter escola.

Ao falar de meu rincão
Não posso deixar de ver
As flores que vi nascer
Ubertosas de ilusão
Rabisquei no coração
A marca de minha gente
Uivando mais fortemente
Gracejo, discurso e verso
A minha terra é o universo,
Janela e a minha tangente!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

SALVEM AS NOSSAS REDES!

Um projeto de lei para redução do ICMS sobre doze setores da Indústria já ronda a Assembléia Legislativa com iminência de ser aprovado com brevidade. A imprensa cearense anuncia com estardalhaço e em letras garrafais. Houve outras reduções do ICMS em diversos outros setores, inclusive no diesel utilizado pelos ônibus coletivos interurbanos, lembram? O governo tem sinalizado, ainda que muito tímido, com uma desoneração tributária e é algo que eu aplaudo com júbilo, mesmo não concordando com a forma e as prioridades que o governo vem tomando nessas reduções.
O que eu tenho ficado enfurecido é com a inércia da classe política jaguaruanense em não defender a redução do ICMS sobre a fabricação de redes de dormir. O momento atual tornou-se propício para essa reivindicação, porém não se ver ninguém nem da situação e nem da oposição mover um dedo sobre a questão. Enquanto isso a nossa típica atividade econômica vai agonizando e trilhando a extinção definitiva. Tenho pensando em mandar um ofício ao Governador para tratar do assunto, mas não tenho cacife político e minha solicitação se tornará inútil. Então convoco a classe empresarial para redigir uma carta de solicitação e exigir uma audiência com o governo. Convocando também o Prefeito, vereadores e os representantes políticos para sensibilizar o governo estadual no sentido de contemplar a rede de dormir nessas políticas tributárias de redução
É preciso desarmar os rancores políticos e todos darmos a mão em prol de nossa economia, afinal a vitória que há de vir não será de “A”, “B” ou “C” e sim de toda a Jaguaruana!   

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

Foto de Mardônio Carvalho
As almas hibernam depois do meio-dia de domingo. Os cachorros não ladram, as casas se fecham e as ruas solilóquias parecem ansiar a vinda abrupta da segunda-feira. Nas cidadezinhas o primeiro dia da semana é o segundo dia; o domingo é do Senhor. Aliás, as únicas coisas a quebrar a inércia dominical eram os badalos do sino da Igreja-matriz, anunciando a missa da noite. Nisso, os cães voltam a latir pelas vias, as casas se abrem sorrateiras, as almas enfeitam-se para eucaristia e o passeio na pracinha. Ouve-se o arrastado das alpercatas, os toques dos sapatos e os estalos dos saltos, pisando nas pedras toscas do velho calçamento. A melodia das ladainhas, espalhadas pelas mãos de D. Edith no órgão, entranhavam-se nas almas que seguiam para a Matriz. Depois da missa, um passeio despretensioso pela pracinha, jogando conversa fora, paquerando as meninas tímidas e comer pipoca do Nezim. Talvez fosse para alguns aquela singeleza um tanto enfadonha e muitos vociferavam como sendo o pior dos marasmos. Porém havia algo poético naquilo e mais: aquela vida mansa e, aparentemente, inerte talvez fosse à única paz tão almejada por grandes nações!          

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

MARIA LIMA DE OLIVEIRA – A SUPERAÇÃO DO IMPOSSÍVEL

Publicação de mais um livro “Uma vida” (título modesto para uma pessoa tão augusta) no Centro Cultural Oboé situado à Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota, 60150-170 Fortaleza

Qual o contorno semântico do impossível? Certamente os dicionários apontem para tudo que é irreal, inviável e impraticável, mas certamente se você conhecer a história de Maria Lima de Oliveira a palavra impossível passa a inexistir. Num mundo cheio de desilusões e sonhos infecundos em que se prega a desvalorização da vida, D. Maria é uma referência paradoxal para as gerações de ontem, de hoje e do porvir. E melhor, referencial vivo.
Maria Lima de Oliveira nasceu num humilde lugarejo chamado de Guajaratuba margeado pelo Rio Purus, cravejado no município de Tapauá na região Sul Amazonense aos vinte e dois dias de outubro de 1917 (ainda na Velha República sob gestão de Venceslau Brás Pereira Gomes), filha caçula de um casal jaguaruanense: José Raymundo da Silva Rocha e Adelia Lima Rocha. Nessa época já havia uma grande colonização de nordestinos na Região Norte, a negligência dos governos fazia as taxas de mortalidade e de doenças tidas como tropicais serem extremamente altas. A precaríssima rede de saúde era um privilégio para os que tinham condições financeiras acima da média. D. Maria nascera dentro de uma realidade em que a mortalidade de recém-nascido era mais comum do que a própria sobrevivência dos mesmos. Perdera seu pai em 1923, quando ainda não tinha 6 anos de idade e em 1928, aos 10 anos, partiu para União (atual Jaguaruana), no Vale do Jaguaribe do Estado do Ceará, terra-natal de seus pais, instalando-se na localidade de Rancho do Povo. Ali certamente ela testemunhou na década de 30 a epidemia de “Tremedeira” que dizimou inúmeros jaguaruanenses. Ela, contrariando as forças do tempo, casou-se no ano de 1936 (durante ainda a epidemia) no dia 26 de novembro com o agricultor Afonso Justino de Oliveira na Igreja-matriz de União (Jaguaruana). D. Maria teve 16 filhos, educando-os com esmero ainda com todas as dificuldades inerentes àquela região. Maria Lima de Oliveira enfrentou desde cedo inúmeras dificuldades que podiam tê-la diminuído, porém ela tornou-se uma figura colossal e rútila que sua simples presença já é um exemplo de vida para todos nós.
Poderia aqui estender-me falando dessa mulher. Contudo, creio que o cerne de meu texto não é se ater aos pormenores de sua vida (no momento). Na verdade, o grande escopo é convidar a todos os meus amigos e leitores a mais um triunfo de sua vida: a publicação de mais um livro “Uma vida” (título modesto para uma pessoa tão augusta) no Centro Cultural Oboé situado à Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota, 60150-170 Fortaleza. Esse evento tem dois benefícios para os que comparecerem: um para mente e outro para o espírito

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

PADRE ROCHA – O SARCEDOTE DO TEATRO!

“O inferno está cheio de cabeças de padres”
Frase supostamente dita por Padre Rocha



Padre Antônio Cândido da Rocha (1854-1932), Padre Rocha para os seus conterrâneos, padre, orador, jornalista, professor, Deputado Provincial e Constituinte, Diretor da Escola Normal de Fortaleza e Dramaturgo nasceu no distrito de paz Caatinga do Góis (Ex-União e atual Jaguaruana) - território na época ainda subordinado a Comarca de Aracati – no dia 06 de Fevereiro de 1854. Curiosamente, um ano antes (1853) Dom Luis Antônio dos Santos, o primeiro bispo do Ceará, havia visitado o distrito de paz Caatinga do Góis e Antônio José de Freitas aproveitou o ensejo para sensibilizá-lo sobre necessidade de ali se fundar uma freguesia, haja vista que já existia uma intensa movimentação religiosa capitaneada pela Irmandade de Sant’Ana fundada no dia 31 de maio de 1851. Padre Rocha era filho de José Francisco da Silva Rocha e Tereza Maria de Jesus, aos 19 anos ingressou no Seminário da Diocese de Fortaleza – capital da Província – nos idos de março de 1873. Nesse ínterim, no dia 04 de dezembro de 1863 pela Lei Provincial nº 1083 era instituído a Freguesia de Sant’Ana no distrito de paz Caatinga do Góis, Padre Rocha tinha 9 anos e 10 meses. O vigário da freguesia só viria a ser nomeado por Dom Luis Antônio dos Santos no dia 19 de janeiro de 1864, sendo o pároco escolhido o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo natural de Aracati, o mesmo só viria definitivamente assumir a freguesia no dia 30 de Abril de 1864. Certamente, o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo contribui bastante na vocação sacerdotal de Padre Rocha. Quando tinha 11 anos 7 meses o distrito de paz Caatinga do Góis elevou-se a Vila, mudando o seu nome para União. A Vila de União recém criada já ostenta a fama de formar inúmeros sacerdotes, muitos de seus filhos paroquiaram dezenas de cidades no Ceará, Nordeste e Brasil. Padre Rocha sob a disciplina espartana do Seminário viria receber a prima tonsura (Cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenando ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) com três anos e oito meses de estudos, ritos e orações, precisamente no dia 30 de novembro de 1876. No dia 30 de novembro de 1877, viriam ordens menores na sua graduação monástica. As ordens de subdiaconato e diaconato (Clérigo da segunda ordem, imediatamente inferior ao padre, e que o ajuda no altar durante a missa) seriam nas respectivas datas 27 e 30 de novembro de 1878. O presbiterato (No catolicismo, ordem que confere o sacerdócio) fora lhe concedido no dia 30 de novembro de 1879, a sua primeira missão aconteceu na Igreja-matriz de União no dia 8 de dezembro de 1879, Padre Rocha já estava com 25 anos. Nessa época o vigário da Freguesia de União era o Padre . No dia 3 de Fevereiro de 1880, Padre Rocha assumiria a freguesia de seu torrão natal, aonde iniciaria definitivamente o seu exercício vicariato. Contudo a religião não lhe dava satisfação plena, por isso ele acabou ingressando na política e no magistério. Logrou o êxito de no biênio de 1884/1885 se tornar Deputado Provincial do Estado do Ceará. A Vila de União também ia se desenvolvendo, em 22 de janeiro de 1885 era criado o Poder Judiciário gerido pelo Capitão João Evangelista de Carvalho e Francisco José Marques, seguidos pelo cidadão Francisco Joaquim de Paula. José Severiano de Almeida receberia a nomeação de Tabelião do Júri no dia 23 de janeiro de 1885. Já no dia 12 de Agosto de 1887 nomeou-se vitaliciamente para o ofício de tabelião público e escrivão geral o cidadão Antão Lemos de Almeida, que só veio assumir o cargo em 01 de setembro de 1887. Aos quatorze dias de setembro 1888 criou-se a coletoria das rendas pela tesouraria da Fazenda do Ceará e aprovada através do Aviso nº 109, de 22.10.1888, sendo nomeado o cidadão Francisco das Chagas Rocha como coletor e escrivão o Sr. Antonio Joaquim Ferreira Gondim. Deixou a Freguesia de União no dia 1 de setembro de 1889, dirigindo-se a Capital da Província para continuar na arte do magistério e da política. A Coroa Portuguesa já estava em decadência total e as aspirações republicanas ecoavam pelos quatro cantos do país, tão assim que naquele mesmo ano (1889) no dia 15 de novembro é proclamado a República do Brasil. Os ideais americanos e o lema de Moore encontravam reflexos nos republicanos daqui que desejava aquela liberdade civil. Certamente, Padre Rocha já tinha convicções republicanas até porque o império está com a imagem arranhada perante a Igreja Católica e foi essas convicções que o fez ser Deputado Constituinte de 1891 da Província do Estado do Ceará. A Velha República nascia como uma fotocópia medíocre do exemplo americano, Estados Unidos do Brasil já passava bem a idéia dessa influência. Deve-se lembrar que 1890 (um ano depois da Proclamação da República) houve as discussões e negociações de poderes no novo sistema de governo. Ao pregar a autonomia as Províncias, cada uma delas tiveram que elaborar suas Constituições desde que não fossem contraditórias legalmente a Constituição Federal (conceito da Pirâmide de Hans Kelsen). Padre Rocha contribuiu na feitura da nova Constituição da Província do Ceará. Naquele mesmo ano (1891) no dia 6 de junho de 1891, foi nomeado pelo Governador da Província José Clarindo de Queirós (1841 – 1893) o Diretor da Escola Normal de Fortaleza. Com queda de José Clarindo de Queirós em 16 de Fevereiro de 1892, pela força do golpe de Floriano Peixoto, que queria fora dos governos estaduais todos os aliados de Deodoro da Fonseca. Essa convulsão política dentro da Província fez com Padre Rocha fosse para Norte, precisamente a região do Amazonas, aonde no dia 24 de maio de 1892 foi nomeado Vigário da Freguesia de Fonte Boa (AM) cidade localizada no Sudoeste Amazonense, na região conhecido por Alto Solimões. Curiosamente, um ano antes em 1891 no dia 23 de março Fonte Boa elevou-se a categoria de Vila, a freguesia já existia desde 1858, exatamente no dia 06 de novembro. Não se sabe ao certo, por falta de fontes de pesquisas, quanto tempo Padre Rocha ficou na freguesia. Que se sabe de certo é que ele regressou ao Ceará e no ano de 1895 ingressou no universo do teatro, através de duas peças teatrais tipografadas nas Oficinas Studart, Fortaleza, Rua Formosa n. 46 e publicados sob o pseudônimo Um sacerdote: As Boas Obras (Um drama em três atos), de 56 pp. e Aviso às Moças ou A Meia Pataca (Uma comédia em dois atos), 14 pp. O preâmbulo do teatro jaguaruense, quiçá do Ceará, tem como patrono e pioneiro Padre Rocha. No dia 12 de novembro de 1932, Padre Rocha faleceu na sua cidade natal (Jaguaruana, que na época ainda era União).   
     Moacir Ribeiro da Silva

Na busca incessante de reconstruir a memória jaguaruanense!
Fontes de consulta:
Diccionario Bio-bibliographico Cearense - Barão de Studart
1001 Cearenses Notáveis - Autor F. da Silva Nobre - Impressso pela Casa do Ceará Editora - Rio de Janeiro – 1996
Ceará. Assembléia Legislativa. Memorial Deputado
Pontes Neto.
Os clérigos na Assembléia Provincial do Ceará:
1821-1889/ Coordenação, pesquisa e texto Osmar
Maia Diógenes. _Fortaleza: INESP, 2008.
221 p.;il
ISBN: 978-85-87764-84-3
1. Padres, Deputados Estaduais-Ceará. 2.
Deputados, Biografia. 3. Ceará, Assembléia
Provincial. 4. Instituto de Estudos e Pesquisas sobre
o Desenvolvimento do Estado do Ceará. I. Diógenes,
Osmar Maia. II. Título.
www.jaguaruana.ce.gov.br
pt.wikipedia.org

domingo, 3 de outubro de 2010

CURIOSIDADES JAGUARUANENSES

O INVENTOR DO AVIÃO É JAGUARUANENSE

Na comunidade Racho do Povo, localidade rural que fica na fronteira entre Jaguaruana e Itaiçaba, há uma história que é sustentada (eu acredito também) pelo grande jornalista Humberto Rocha, pessoa inteligentíssima e íntegra, de quem inventou do avião não fora o Santos Dumont e tampouco os Irmãos Wright. O grande inventor foi José de Almeida, mais conhecido popularmente por Zé Rapadura, segundo os relatos ele estudou em Escolas Diocesanas (melhores escolas na época) e tinha uma vocação por inventar. O seu invento claro que não teria nome de “avião”, mas sim foi batizado de “Urubu sem Cabeça” e o Zé Rapadura dizia: “O urubu sem cabeça rasgará o céu como uma graúna, fatiando nuvens como faca quente em manteiga, reduzindo distâncias com pessoas no seu ventre”. Seria mesmo um nordestino cabeça-chata o inventor do avião? Eu acredito nessa história, eu não tenho toga para julgar se é verdade ou não. Sou brincante popular, não sou historiador!
                Quando me perguntam quem inventou o avião, digo sem medo de errar: Foi Zé Rapadura, um jaguaruanense lá do Racho do Povo!

sábado, 2 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

As manhãs de minha infância não eram cortejadas por galos. Antes dos galos, os estalos sincronizados da lançadeira no tear anunciavam à alva sobrepujando a noite. Só nós – os jaguaruanenses e nem todos – tem o privilégio de acordar com os sons poéticos da arte de tecer. A rede de dormir permeia a vida de um jaguaruanense do nascimento a morte. O berço de jaguaruanense é rede com dois talos de carnaúba nas extremidades, para sentar-se é na rede sofá para os patacudos, aos que nada têm se dobra a rede no chão transformando-a numa almofada. Além do sono bom, a rede na época da febre amarela na década de 30, que assolou a Villa de União (atual Jaguaruana) serviu de ataúde. Hoje prática em desuso.
Aos que nunca deitaram numa rede de dormir, digo-lhes sem medo de errar o prazer de dormir como se flutuasse só tido dentro da rede. É um sono suave, um vôo inerte como se a gente dormisse por sobre uma nuvem. Talvez, o leitor, ache meu depoimento parcial até por minhas ligações deverás íntima. Mas eu proponho um desafio aos que nunca viveram essa experiência: apreciem. Sei que no início, você será acometido por um sentimento de insegurança, mas deixe a tranqüilidade domar seu íntimo.
Hoje eu acordo com o ronco dos automóveis, o cheiro de gasolina e o movimento medonho dos centros urbanos, mas vezes por outra, eu me reporto ao rincão e fico ouvindo a pancada do tear cortejando o dia. Ainda durmo de rede e nunca deixarei o tal hábito. Essas coisas não deixam de ser uma forma de amenizar a saudade de minha cidade.   

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

Dr. José Barreto de Carvalho, nascera ainda na antiga União (atual Jaguaruana) a vinte dias de abril de 1924, filho de Aloísio Barbosa de Almeida e de Dona Filomena Barreto de Carvalho. Iniciou seus estudos primários na sua terra-natal, provavelmente, nas Escolas Reunidas de Jaguaruana (atual Escola de Ensino Fundamental e Médio Manoel Sátiro) e/ou Professores particulares, prática comum na época. Esse ensino introdutório configurava-se como um preparatório para os exames de admissão ginasial. Dr. José Barreto de Carvalho seguiu em direção do Cariri, mais precisamente a cidade do Crato para dar continuidade aos seus estudos no Ginásio Diocesano que na época com internato, semi-internato e externato, era na época um estabelecimento escolar conceituadíssimo no Estado do Ceará. Naquela Instituição, certamente, ele concluiu apenas o ensino ginasial. O ensino secundário (atual ensino médio) ele só veio concluir no Colégio São João em Fortaleza. No ano de 1951 na Faculdade de Direito do Ceará, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais. A sua carreira jurídica iniciaria no Ministério Público no ano de 1953, no cargo de Promotor de Justiça da Comarca de Redenção, contudo sua carreira no Ministério Público não durou muito, com pouco tempo foi aprovado no concurso para Juiz de Direito. E logo no ano de 1954, assumiu já exercendo o seu novo cargo a Comarca de Caririaçu, depois sendo removido para Jaguaruana. Exerceu ainda a judicatura em: Morada Nova, de 2ª entrância (1961), Russas, de 3ª entrância (1964) e Sobral, de 4ª entrância (1966). No ano seguinte, foi removido para a Comarca de Fortaleza, vindo assumir o Juizado de Menores, estância essa que viria marcar sua carreira profissional. Focalizou o seu trabalho judiciário no combate a prostituição infanto-juvenil, a delinqüência e o uso de drogas. O seu trabalho a frente do Juizado teve reconhecimento nacional, o que fez participar de inúmeros Congressos dos Juízes de Menores do Brasil em inúmeras cidades, tais como: Recife, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Salvador e Vitória. “Com a aposentadoria simultânea de muitos dos Desembargadores em Exercício no Tribunal, no ano de 1979, em decorrência da promulgação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN e por se tratar do Juiz de Direito mais antigo na entrância, ascendeu ao Tribunal de Justiça em data de 11 de maio de 1979”. O Dr. José Barreto de Carvalho ocupou a vaga do Desembargador Aurino Augusto de Araújo Lima no dia 13 de maio de 1979. Ocupou diversas funções: integrante da 1ª Câmara Cível, participou do Conselho Superior de Justiça, Juiz Eleitoral, Corregedor Geral Eleitoral e Presidente do TER-CE. Casou-se com Dona Isinha Barreto de Carvalho com quem filhos, em destaque: José Barreto de Carvalho Filho, Juiz de Direito em Fortaleza, e Aloísio Barreto de Carvalho.