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terça-feira, 27 de setembro de 2011

LIRA JAGUARUANENSE


SAUDADE JAGUARUANENSE
 
Quando eu saí dali, não levei meu coração
O pobre ficou ali no jardim do meu torrão
Deitando numa tijubana, esperando meu amor
Meu amor é Jaguaruana que lá na estrada ficou (bis)

Hoje é grande a saudade
Mas um dia eu vou matar
Vou buscar felicidade
Vou voltar pro meu lugar
Terra de gente bonita
De Emília e de Sant’Ana
Do bendito Padre Rocha
Que saudade tão tirana.

Já devoro a poeira neste carro tão veloz
O poema sem papel se agarra numa voz
No cordel da minha mente, o verso se torna dor
Minha dor é Jaguaruana que lá na estrada ficou (bis)

Hoje é grande a saudade
Mas um dia eu vou matar
Vou buscar felicidade
Vou voltar pro meu lugar
Terra de gente bonita
De Emília e de Sant’Ana
Do bendito Padre Rocha
Que saudade tão tirana.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Lira Jaguaruanense

GRACIOSA ORQUÍDEA DO VALE (JAGUARUANA)

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

Graciosa orquídea deste Vale
Que se banha no velho Jaguaribe
A sua história é cercada de coragem
Ao vencer o inimigo e a diatribe
Tendo por escopo a liberdade
Voando por sobre adversidade
Semelhante a briosa abibe.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

Graciosa orquídea deste Vale
Sua riqueza transborda no olhar
Nas carnaúbas sublimes e frondosas
Que se ver espalhadas por todo lugar
Na sua cultura robusta e marcante
De uma gente guerreira e atuante
Que constrói sua poesia no tear.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

Graciosa orquídea deste Vale
Devagar vai fazendo o seu porvir
Hasteando a bandeira da labuta
Conjugado com o verbo progredir
Sem esquecer as glórias do passado
Cada filho deste torrão amado
Que não conhece a palavra desistir.

Ó Terra que se adorna de histórias
Alimentando-se de sua força varonil
Cada ser humano desta terra
É uma estrela a brilhar pelo Brasil.

sábado, 27 de agosto de 2011

LIRA JAGUARUANENSE


TROVAS SERTANEJAS
 
Fui criado com feijão
Carne velha, ovo, alfenim
E assistindo o Casimiro
Do brincante Garranchim.

Eu já fui um espadachim
Minha espada era de talo
Da saudosa carnaúba
Que também fazia cavalo.

Nesta rede que me embalo
Num balanço bem bacana
Uma rede tão gostosa
É lá de Jaguaruana.

Neste povo reina a gana
Que exercita a sua fé
Na missa da Serra Dantas
Que vai do topo ao sopé. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

LIRA JAGUARUANENSE

RUA PADRE ROCHA


Quem te vê assim, ó ruazinha
Deitada sobre uma onça adormecida
Subitamente, fica embriagado com êxtase
E imbuído por uma paixão vadia

Ó ruazinha que sofre de escoliose

Ainda amo-te assim mesmo, ó rua tortinha
Não tão torta como se diz
Mas assim como um pedaço de linha
Que se enrolou num novelo infeliz.

domingo, 14 de agosto de 2011

LIRA JAGUARUANENSE


TROVAS SERTANEJAS  - II

Doce bom é quebra-queixo
Feito pelo Seu “Manel”(*)
Faz mulé pegar marido
E dá juízo pro argel.

A abelha que faz o mel
No pote que morre a sede
E é da mão de um tecelão
Que nasce a querida rede.

A minha trova é parede
Duro que nem uma ripa
Vou comer no Serafim
Um prato cheio de tripa.

Quero dar uma chulipa
Neste tempo-crocodilo
Dando um salve bem sonoro
Ao saudoso Mestre Nilo. 

____________________________________________
(*) Nome abreviado do grande Doceiro Popular Manoel Martins de Almeida

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

LIRA JAGUARUANENSE


TROVAS SERTANEJAS
 
Eu vinha com a castanha
E você com o caju
Eu pegue três avoantes
E você pegou um nambu.

No fogão só tem angu
No quintal só tem capote
Minha cerca é de mourão
No meu poço tem caçote.
 
Se a noitinha vou pro xote
Vou calçado de galocha
Pra passar o “Serafim”(*)
Rumo a Rua Padre Rocha.
 
Eu vi uma cabrita mocha
Na estrada do São José
A menina quando apronta
Tá querendo ser “mulé”.

Foi na fazenda Mundé
Que tomei banho de lata
Comida quando malfeita
Não se encosta nem barata.

Mas coisa boa é mulata
Que requebra no forró
Faz chover no meu sertão
Passa a perna no coió.  
______________________________________
(*) O nome dado ao trecho do Rio Jaguaribe na cidade de Jaguaruana-Ceará, mas precisamente próximo ao Taboleiro e Carnaubal.

sábado, 7 de maio de 2011

LIRA JAGUARUANENSE


Ó terra tão fausta que grande saudade

Meu peito miúdo não agüenta essa dor

Eu quero voltar pro meu berço de amor

Cantá-lo nos versos com muita vontade

No palco invisível da minha verdade

Eu hei de tecer um poema exemplar

Na tela pulcríssima deste lugar

Ó terra bendita; profícuo celeiro

Que encanta o meu povo viril e altaneiro

Cantando galope na beira do mar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lira Jaguaruanense


-III-

O doce balanço da rede tecida
Tecida com arte por um tecelão
Que a fez primorosa lá no batelão
É a marca da terra por mim tão querida
Cultura briosa jamais esquecida
Por gente nenhuma daquele lugar
Eu falo direto, mas vou relembrar
Cortejo meu berço, versando hosana
Meu amor indelével é pra Jaguaruana
Cantando galope na beira do mar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

SAUDADE JAGUARUANENSE





Dos olhos caem lágrimas de uma saudade

Que maltratam com maldade esse pobre coração

Eu sinto falta do rincão velho estimado

Que no poema é retratado como uma recordação



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!



Prepara a rede no alpendre lá de casa

Que hoje abro as minhas asas em direção do meu lugar

E vou cantar numa grande sinergia

Pra mostrar a alegria dos seus filhos a versejar



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!




Quero ver as suas praças, quero sua Matriz

E o povo tão feliz numa vida aperreada

Quero ver suas meadas colorindo o meu sertão

Quero a rede de algodão espalhada na calçada.



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!



Quero ver o “boi tisnado” dançando lá no Giquí

Da cultura que é dali quero ser abençoado

Quero um bom reisado do honroso Mestre Grilo

A rabeca de Quinco, pastoril e o que é sagrado!



Eu vou voltar

Minha Jaguaruana

Esperei aí, que vou chegar!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

Oráculo que se banhou em meu líquido amniótico
Viu-me surgir para um mundo demasiadamente chato
Tangendo-me para o lado do teatro límpido e sensato
Para cultura popular, folguedos e seu mister caótico

Oráculo que me ofertou esse imenso desejo patriótico
De defendê-lo das truculências de quem lhe é ingrato
Filhos seus perversos que o tornam um ser anabiótico
Sugando criminosamente de seu íntimo o substrato

De sua força imensurável e deverás soberana
Tornando-o mísero, miúdo e adoentado
A mercê de uma condição subumana

Resistindo bravamente um fado tão pesado
E eu hei de ver com brevidade o seu brado
O grito uníssono: “Libertem Jaguaruana!"

domingo, 31 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 14

“Quero agora a licitude,
A sua paz e o seu perdão
Te peço humildemente
 Que me tire à maldição
Nessa hora tão profana
Me dando a forma humana
Te peço de coração”.

“Dei-me um pouco sua atenção
Pro que agora eu vou dizer
O feitiço monstruoso
Eu não posso desfazer
Até posso, mas não faço
Só pra servir de embaraço
E pra ver você aprender”.

“Mas isso vai perecer
Se uma pessoa bondosa
Diante de sua presença
Rezar com fé poderosa
Cada conta de um rosário
Bem defronte ao Santuário
Da Medalha Milagrosa”.

Essa saga curiosa
Que por ora chega ao fim
Nunca foi fantasiosa
Foi o que contaram a mim
Sei que sou poeta tonto
Mas a história que eu conto
Fora realmente assim.
Fortaleza, 03 de Agosto de 2010
Dia de Sol escaldante
Dedico esse cordel ao grande amigo e há tempos sumido do meu convívio social:
Francisco Antônio da Silva (Chiquinho ou Neguinho)

sábado, 30 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 13


Aquela fatalidade
Que o capeta lhe rogou
Dentro de poucos instantes
Conceição se transformou
Aparentava um mutante
Uma cena apavorante
Que até o Cão se retirou.

A pobre mulher rezou
Ao Senhor tão glorioso
Que Jesus apareceu
Com semblante luminoso:
“Ó Jesus Cristo me acuda
Eu preciso da sua ajuda
Num momento doloroso”.

“Fiquei um tanto pesaroso
Quando tomara a atitude
De acordar com Ferrabrás
Uma coisa sem virtude
Quem se une com a maldade
Prova dela a crueldade
Construindo o seu ataúde”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 12

“Pois pague a agora o que é meu
E deixe de “nove-hora”
Busque seus panos de bunda
E pro inferno “vamo” embora”!
Ana Conceição da Luz
Gritou: “Em nome de Jesus
Ponha-se daqui pra fora”.

O capeta nessa hora
Gritando que nem leão
Praguejou para mulher
Lhe rogando a maldição:
“Ao cantar aquele galo
Tu serás mulher-cavalo
Que é pior que a perdição”.

“Andando nesse mundão
De cidade pra cidade
Procurando os sete filhos
Por toda uma eternidade
Pra aprender que com capeta
Não se faz essa mutreta
E fica na impunidade”.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 11


“Se quiser eu me rastejo,
Suplicando ajoelhada.
Me revele o paradeiro
E qual o rumo da estrada?
Certamente eu vou pagar
O que irás me revelar
Da forma mais adequada”.

“Você já tá endividada
E nem brinque com a sorte
O cruel José Morais
Já beijou a face da morte
O contrato foi cumprido
Cumpra agora o prometido
Que já lhe dei o meu suporte”.

“Dentro de mim, nasceu um corte
Com o que se sucedeu
Eu lhe dou toda razão
E lhe pago o que for seu
Mas lhe suplico piedade
Me diga a localidade
Que o nojento faleceu”.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 10

“Eu já sei quem cometeu
Esse fato vergonhoso,
Foi seu pai José Morais
Um caboclo tão maldoso
Que retirando os seus brilhos
Acabou levando os filhos
Prum lugar misterioso”.

“Mas que caboclo engenhoso!”
Disse pobre Conceição
“Onde fica o esconderijo
Daquele ente de ladrão”
Mas o capeta ao falar
Tratando de clarear
Foi dizendo a condição.

“Tenha calma Conceição
Que você tem só um desejo
A sua jura foi de morte
Que farei sem dar bocejo
Já dizer o paradeiro
Dos filhos e do fuleiro
Eu não direi o lugarejo”.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 9

Procurando a filharada
Fez na casa uma revista
Percorreu todo recinto
Como um especialista
Que procura por bandido
Os filhos tinham sumido
Sem deixar nenhuma pista.

Aquela mulher simplista
Exclamava para o vento:
“A morte para o facínora!
Eu faço aqui um juramento
Em nome da minha paz
Eu quero que o Satanás
Me atenda nesse momento”.

Ao escutar aquele intento
O capeta apareceu
Perguntando pra Ceição:
“O que foi que sucedeu”?
Conceição lhe explicou
O capeta ponderou:
“Esse caso agora é meu”.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 8

E começou acontecer
Na semana do natal
O seu pai lhe procurando
Com um desejo infernal
De matar a Conceição
E toda a sua geração
Perfurando de punhal.

Conceição lá no curral
E o seu pai na residência
Massacrou o pobre Joaquim
Que não deu nem resistência
Lhe deixou todo cortado
Levando os filhos amados
Sem sentir uma clemência.

E Conceição na inocência
Dirigiu-se a sua morada
Mas ao ver a porta aberta
Fico tão desesperada
Viu somente o seu Joaquim
Envolvido de carmim
Com a sua vida extirpada.

domingo, 24 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 7

Parindo sua geração
Como quem planta semente
Tivera sete crianças
Nascidos naturalmente
E por ser mãe tão exemplar
Nunca foi de maltratar
E nem ser intransigente.

Sua família era decente
Alicerçada no amor
As lembranças de criança
Daquele tempo de dor
Já nem tinha mais na mente
O passado deprimente
Os clamores de horror.

Mas o passado, ó leitor
Ninguém pode se esquecer
Se ficar no esquecimento
Ele pode aparecer
Como uma repetição
Coitada de Conceição
Viu seu mundo perecer.

sábado, 23 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 6

Ela se tornou um jasmim
Quando o amor lhe seqüestrou
Seu Joaquim naquele instante
O coração lhe entregou
Querendo ser mais que amigo
Resolveu lhe dar abrigo
E com ela namorou.

Pouco tempo se casou
Com um homem tão bondoso
Um rapaz trabalhador
Tão viril e cuidadoso
E sua vida tão tristonha
Foi tornando-se risonha
Algo mais que fabuloso.

O caminho doloroso
Que marcara a Conceição
Aquele passado torto
Que amargou seu coração
Foi curado pelo amor
E aquele traço de dor
Tornou-se recordação.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

LIRA JAGUARUANENSE

HISTÓRIA REAL DA MULHER-CAVALO OU CLAMORES DE CONCEIÇÃO
PARTE 5

Andejou pra se acabar
Nos caminhos do sertão
A mercê de qualquer sorte
Passando por precisão
Vivia da caridade
E do pouco da bondade
Dos que tinham coração.

Pra aumentar a judiação
Que flagela a pobre vida
Conceição tava buxuda
Mas a filha foi perdida
A coitada nasceu morta
E aquela a sua vida torta
Já não tinha mais saída.

Conceição já tão sofrida
Só sonhava em ver o fim
De matar aquela angústia
De uma sina tão ruim
Mas tudo isso se acabou
Quando o seu olhar esbarrou
Com os olhos de Joaquim.