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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

SALVEM AS NOSSAS REDES!

Um projeto de lei para redução do ICMS sobre doze setores da Indústria já ronda a Assembléia Legislativa com iminência de ser aprovado com brevidade. A imprensa cearense anuncia com estardalhaço e em letras garrafais. Houve outras reduções do ICMS em diversos outros setores, inclusive no diesel utilizado pelos ônibus coletivos interurbanos, lembram? O governo tem sinalizado, ainda que muito tímido, com uma desoneração tributária e é algo que eu aplaudo com júbilo, mesmo não concordando com a forma e as prioridades que o governo vem tomando nessas reduções.
O que eu tenho ficado enfurecido é com a inércia da classe política jaguaruanense em não defender a redução do ICMS sobre a fabricação de redes de dormir. O momento atual tornou-se propício para essa reivindicação, porém não se ver ninguém nem da situação e nem da oposição mover um dedo sobre a questão. Enquanto isso a nossa típica atividade econômica vai agonizando e trilhando a extinção definitiva. Tenho pensando em mandar um ofício ao Governador para tratar do assunto, mas não tenho cacife político e minha solicitação se tornará inútil. Então convoco a classe empresarial para redigir uma carta de solicitação e exigir uma audiência com o governo. Convocando também o Prefeito, vereadores e os representantes políticos para sensibilizar o governo estadual no sentido de contemplar a rede de dormir nessas políticas tributárias de redução
É preciso desarmar os rancores políticos e todos darmos a mão em prol de nossa economia, afinal a vitória que há de vir não será de “A”, “B” ou “C” e sim de toda a Jaguaruana!   

sábado, 2 de outubro de 2010

CRÔNICAS JAGUARUANENSES

As manhãs de minha infância não eram cortejadas por galos. Antes dos galos, os estalos sincronizados da lançadeira no tear anunciavam à alva sobrepujando a noite. Só nós – os jaguaruanenses e nem todos – tem o privilégio de acordar com os sons poéticos da arte de tecer. A rede de dormir permeia a vida de um jaguaruanense do nascimento a morte. O berço de jaguaruanense é rede com dois talos de carnaúba nas extremidades, para sentar-se é na rede sofá para os patacudos, aos que nada têm se dobra a rede no chão transformando-a numa almofada. Além do sono bom, a rede na época da febre amarela na década de 30, que assolou a Villa de União (atual Jaguaruana) serviu de ataúde. Hoje prática em desuso.
Aos que nunca deitaram numa rede de dormir, digo-lhes sem medo de errar o prazer de dormir como se flutuasse só tido dentro da rede. É um sono suave, um vôo inerte como se a gente dormisse por sobre uma nuvem. Talvez, o leitor, ache meu depoimento parcial até por minhas ligações deverás íntima. Mas eu proponho um desafio aos que nunca viveram essa experiência: apreciem. Sei que no início, você será acometido por um sentimento de insegurança, mas deixe a tranqüilidade domar seu íntimo.
Hoje eu acordo com o ronco dos automóveis, o cheiro de gasolina e o movimento medonho dos centros urbanos, mas vezes por outra, eu me reporto ao rincão e fico ouvindo a pancada do tear cortejando o dia. Ainda durmo de rede e nunca deixarei o tal hábito. Essas coisas não deixam de ser uma forma de amenizar a saudade de minha cidade.