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domingo, 5 de abril de 2015

DOS FILHOS DESTE SOLO

ORGULHOSAMENTE, ENCONTREI MAIS UM FILHO ILUSTRE DE JAGUARUANA, NO LIVRO: IMPRENSA CEARENSE E OS JORNALISTAS NA DITADURA MILITAR - RELATÓRIO FINAL DA COMISSÃO DA VERDADE, MEMÓRIA E JUSTIÇA DOS JORNALISTAS DO CEARÁ - INCLUSIVE O LIVRO TRAZ UM DEDICATÓRIO IN MEMORIAN AO GRANDE EDMUNDO MAIA, EIS A SUA PEQUENA BIOGRAFIA:

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

FENELON ALMEIDA
            Dia 3 de abril de 2001, regressou à Pátria Espiritual nosso companheiro Fenelon Almeida, jornalista dos mais respeitáveis da imprensa cearense. Nasceu  em 1o de julho de 1918, na cidade de Jaguaruana, CE, filho de José de Almeida Sobrinho e D. Francisca Elisa de Almeida. Estudou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, convivendo com o então padre Hélder – D. Hélder Câmara – e outros sacerdotes de grande valor.
            Deixando o Seminário, para ganhar a vida, Fenelon Almeida percorreu várias capitais brasileiras. Voltando a Fortaleza, fundou o jornal “Estudos”, juntamente com os intelectuais Hodson Meneses, Freitas Nobre e Antônio Bezerra. Em 1948, ingressou no jornal “O Povo” destacando-se logo por suas reportagens de impacto, com sua vocação de repórter, sempre abordando assuntos de grande interesse da coletividade, cuja tônica principal era o humanismo. Dizia Fenelon: Todo repórter consciente de sua função social pode e deve fazer humanismo, pregar e propagar humanismo, disseminá-lo pelos caminhos da profissão. Mas, para isso, há de manter o espelho bem polido, para evitar seja deformada a imagem da vida por ele refletida. Com imagens distorcidas ou desfocadas da realidade social, visando a tirar proveito próprio ou levar vantagens a terceiros – melhor seria a tal repórter mudar de profissão. Organizou e fundou o Departamento de Pesquisa do jornal “O Povo”. A vocação de repórter jamais o abandonou. Suas reportagens de impacto na imprensa cearense, transformam-no em repórter-escritor. Reuniu em livros: - As Vozes da Seca - , um importante estudo sobre a música popular e as secas no Nordeste; valiosa fonte de pesquisa para os estudiosos do nosso folclore e da música popular; - Jararaca, o cangaceiro que virou “santo” – reportagens sobre o ataque de Lampião à cidade de Mossoró; - Nessa estrada eu caminhei – com quase 300 páginas, enfeixando outras grandes reportagens e entrevistas palpitantes, abordando temas relevantes, de cunho humano, social e cultural.
            Foi contemporâneo da fase realmente heróica da história da imprensa cearense, da qual participaram: Adaucto Gondim, Aníbal Bonavides, Gerardo Brígido, Antônio Girão Barroso, Caio Cid, Durval Aires, Peri Augusto, Luciano Carneiro, Ciro Colares, Paulo Bonavides, Arabá Matos, Abelardo Montenegro, Antônio Tavares, José Júlio Barbosa, Blanchard Girão, Haroldo Holanda, Alberto Leal Nunes, Pádua Campos, Eutímio Moreira, Walter Moreno, Luciano Barreira, Morais Né, Edmundo de Castro, Lúcio Lima, Deusdedith Sousa, Olavo de Sampaio, Manoel Lima Soares (Néo), Dórian Sampaio, Carlos Pontes, Alberto Galeno, Delmondez Neto, Bruno Maia, Stênio Lopes, Amarílio Furtado de Aquino, Odalves Lima Luís Edgar de Andrade, Juarez Timóteo e outros.
            Fenelon Almeida regressou ao plano espiritual depois de 83 anos de constantes labutas em prol dos menos favorecidos, deixando o exemplo     do heroísmo dos teimosos, como diria Jáder de Carvalho.


Sobre sua morte:
2001 - abril - 03 - Morre, às 9h, no Hospital Regional da Unimed, em Fortaleza, vítima de tumor cerebral, aos 80 anos de idade, o jornalista e escritor Fenelon de Almeida, sendo sepultado no dia seguinte no Cemitério Jardim Metropolitano.
Fenelon era cearense de Jaguaruana e exerceu o jornalismo desde 1948, quando ingressou no jornal O Povo, onde foi o criador do Departamento de Pesquisa, hoje Banco de Dados.
Fonte de Consulta:

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

PADRE ROCHA – O SARCEDOTE DO TEATRO!

“O inferno está cheio de cabeças de padres”
Frase supostamente dita por Padre Rocha



Padre Antônio Cândido da Rocha (1854-1932), Padre Rocha para os seus conterrâneos, padre, orador, jornalista, professor, Deputado Provincial e Constituinte, Diretor da Escola Normal de Fortaleza e Dramaturgo nasceu no distrito de paz Caatinga do Góis (Ex-União e atual Jaguaruana) - território na época ainda subordinado a Comarca de Aracati – no dia 06 de Fevereiro de 1854. Curiosamente, um ano antes (1853) Dom Luis Antônio dos Santos, o primeiro bispo do Ceará, havia visitado o distrito de paz Caatinga do Góis e Antônio José de Freitas aproveitou o ensejo para sensibilizá-lo sobre necessidade de ali se fundar uma freguesia, haja vista que já existia uma intensa movimentação religiosa capitaneada pela Irmandade de Sant’Ana fundada no dia 31 de maio de 1851. Padre Rocha era filho de José Francisco da Silva Rocha e Tereza Maria de Jesus, aos 19 anos ingressou no Seminário da Diocese de Fortaleza – capital da Província – nos idos de março de 1873. Nesse ínterim, no dia 04 de dezembro de 1863 pela Lei Provincial nº 1083 era instituído a Freguesia de Sant’Ana no distrito de paz Caatinga do Góis, Padre Rocha tinha 9 anos e 10 meses. O vigário da freguesia só viria a ser nomeado por Dom Luis Antônio dos Santos no dia 19 de janeiro de 1864, sendo o pároco escolhido o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo natural de Aracati, o mesmo só viria definitivamente assumir a freguesia no dia 30 de Abril de 1864. Certamente, o Padre Alexandre Correia de Araujo Melo contribui bastante na vocação sacerdotal de Padre Rocha. Quando tinha 11 anos 7 meses o distrito de paz Caatinga do Góis elevou-se a Vila, mudando o seu nome para União. A Vila de União recém criada já ostenta a fama de formar inúmeros sacerdotes, muitos de seus filhos paroquiaram dezenas de cidades no Ceará, Nordeste e Brasil. Padre Rocha sob a disciplina espartana do Seminário viria receber a prima tonsura (Cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordenando ao conferir-lhe o primeiro grau do clericato) com três anos e oito meses de estudos, ritos e orações, precisamente no dia 30 de novembro de 1876. No dia 30 de novembro de 1877, viriam ordens menores na sua graduação monástica. As ordens de subdiaconato e diaconato (Clérigo da segunda ordem, imediatamente inferior ao padre, e que o ajuda no altar durante a missa) seriam nas respectivas datas 27 e 30 de novembro de 1878. O presbiterato (No catolicismo, ordem que confere o sacerdócio) fora lhe concedido no dia 30 de novembro de 1879, a sua primeira missão aconteceu na Igreja-matriz de União no dia 8 de dezembro de 1879, Padre Rocha já estava com 25 anos. Nessa época o vigário da Freguesia de União era o Padre . No dia 3 de Fevereiro de 1880, Padre Rocha assumiria a freguesia de seu torrão natal, aonde iniciaria definitivamente o seu exercício vicariato. Contudo a religião não lhe dava satisfação plena, por isso ele acabou ingressando na política e no magistério. Logrou o êxito de no biênio de 1884/1885 se tornar Deputado Provincial do Estado do Ceará. A Vila de União também ia se desenvolvendo, em 22 de janeiro de 1885 era criado o Poder Judiciário gerido pelo Capitão João Evangelista de Carvalho e Francisco José Marques, seguidos pelo cidadão Francisco Joaquim de Paula. José Severiano de Almeida receberia a nomeação de Tabelião do Júri no dia 23 de janeiro de 1885. Já no dia 12 de Agosto de 1887 nomeou-se vitaliciamente para o ofício de tabelião público e escrivão geral o cidadão Antão Lemos de Almeida, que só veio assumir o cargo em 01 de setembro de 1887. Aos quatorze dias de setembro 1888 criou-se a coletoria das rendas pela tesouraria da Fazenda do Ceará e aprovada através do Aviso nº 109, de 22.10.1888, sendo nomeado o cidadão Francisco das Chagas Rocha como coletor e escrivão o Sr. Antonio Joaquim Ferreira Gondim. Deixou a Freguesia de União no dia 1 de setembro de 1889, dirigindo-se a Capital da Província para continuar na arte do magistério e da política. A Coroa Portuguesa já estava em decadência total e as aspirações republicanas ecoavam pelos quatro cantos do país, tão assim que naquele mesmo ano (1889) no dia 15 de novembro é proclamado a República do Brasil. Os ideais americanos e o lema de Moore encontravam reflexos nos republicanos daqui que desejava aquela liberdade civil. Certamente, Padre Rocha já tinha convicções republicanas até porque o império está com a imagem arranhada perante a Igreja Católica e foi essas convicções que o fez ser Deputado Constituinte de 1891 da Província do Estado do Ceará. A Velha República nascia como uma fotocópia medíocre do exemplo americano, Estados Unidos do Brasil já passava bem a idéia dessa influência. Deve-se lembrar que 1890 (um ano depois da Proclamação da República) houve as discussões e negociações de poderes no novo sistema de governo. Ao pregar a autonomia as Províncias, cada uma delas tiveram que elaborar suas Constituições desde que não fossem contraditórias legalmente a Constituição Federal (conceito da Pirâmide de Hans Kelsen). Padre Rocha contribuiu na feitura da nova Constituição da Província do Ceará. Naquele mesmo ano (1891) no dia 6 de junho de 1891, foi nomeado pelo Governador da Província José Clarindo de Queirós (1841 – 1893) o Diretor da Escola Normal de Fortaleza. Com queda de José Clarindo de Queirós em 16 de Fevereiro de 1892, pela força do golpe de Floriano Peixoto, que queria fora dos governos estaduais todos os aliados de Deodoro da Fonseca. Essa convulsão política dentro da Província fez com Padre Rocha fosse para Norte, precisamente a região do Amazonas, aonde no dia 24 de maio de 1892 foi nomeado Vigário da Freguesia de Fonte Boa (AM) cidade localizada no Sudoeste Amazonense, na região conhecido por Alto Solimões. Curiosamente, um ano antes em 1891 no dia 23 de março Fonte Boa elevou-se a categoria de Vila, a freguesia já existia desde 1858, exatamente no dia 06 de novembro. Não se sabe ao certo, por falta de fontes de pesquisas, quanto tempo Padre Rocha ficou na freguesia. Que se sabe de certo é que ele regressou ao Ceará e no ano de 1895 ingressou no universo do teatro, através de duas peças teatrais tipografadas nas Oficinas Studart, Fortaleza, Rua Formosa n. 46 e publicados sob o pseudônimo Um sacerdote: As Boas Obras (Um drama em três atos), de 56 pp. e Aviso às Moças ou A Meia Pataca (Uma comédia em dois atos), 14 pp. O preâmbulo do teatro jaguaruense, quiçá do Ceará, tem como patrono e pioneiro Padre Rocha. No dia 12 de novembro de 1932, Padre Rocha faleceu na sua cidade natal (Jaguaruana, que na época ainda era União).   
     Moacir Ribeiro da Silva

Na busca incessante de reconstruir a memória jaguaruanense!
Fontes de consulta:
Diccionario Bio-bibliographico Cearense - Barão de Studart
1001 Cearenses Notáveis - Autor F. da Silva Nobre - Impressso pela Casa do Ceará Editora - Rio de Janeiro – 1996
Ceará. Assembléia Legislativa. Memorial Deputado
Pontes Neto.
Os clérigos na Assembléia Provincial do Ceará:
1821-1889/ Coordenação, pesquisa e texto Osmar
Maia Diógenes. _Fortaleza: INESP, 2008.
221 p.;il
ISBN: 978-85-87764-84-3
1. Padres, Deputados Estaduais-Ceará. 2.
Deputados, Biografia. 3. Ceará, Assembléia
Provincial. 4. Instituto de Estudos e Pesquisas sobre
o Desenvolvimento do Estado do Ceará. I. Diógenes,
Osmar Maia. II. Título.
www.jaguaruana.ce.gov.br
pt.wikipedia.org

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

Dr. José Barreto de Carvalho, nascera ainda na antiga União (atual Jaguaruana) a vinte dias de abril de 1924, filho de Aloísio Barbosa de Almeida e de Dona Filomena Barreto de Carvalho. Iniciou seus estudos primários na sua terra-natal, provavelmente, nas Escolas Reunidas de Jaguaruana (atual Escola de Ensino Fundamental e Médio Manoel Sátiro) e/ou Professores particulares, prática comum na época. Esse ensino introdutório configurava-se como um preparatório para os exames de admissão ginasial. Dr. José Barreto de Carvalho seguiu em direção do Cariri, mais precisamente a cidade do Crato para dar continuidade aos seus estudos no Ginásio Diocesano que na época com internato, semi-internato e externato, era na época um estabelecimento escolar conceituadíssimo no Estado do Ceará. Naquela Instituição, certamente, ele concluiu apenas o ensino ginasial. O ensino secundário (atual ensino médio) ele só veio concluir no Colégio São João em Fortaleza. No ano de 1951 na Faculdade de Direito do Ceará, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais. A sua carreira jurídica iniciaria no Ministério Público no ano de 1953, no cargo de Promotor de Justiça da Comarca de Redenção, contudo sua carreira no Ministério Público não durou muito, com pouco tempo foi aprovado no concurso para Juiz de Direito. E logo no ano de 1954, assumiu já exercendo o seu novo cargo a Comarca de Caririaçu, depois sendo removido para Jaguaruana. Exerceu ainda a judicatura em: Morada Nova, de 2ª entrância (1961), Russas, de 3ª entrância (1964) e Sobral, de 4ª entrância (1966). No ano seguinte, foi removido para a Comarca de Fortaleza, vindo assumir o Juizado de Menores, estância essa que viria marcar sua carreira profissional. Focalizou o seu trabalho judiciário no combate a prostituição infanto-juvenil, a delinqüência e o uso de drogas. O seu trabalho a frente do Juizado teve reconhecimento nacional, o que fez participar de inúmeros Congressos dos Juízes de Menores do Brasil em inúmeras cidades, tais como: Recife, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Salvador e Vitória. “Com a aposentadoria simultânea de muitos dos Desembargadores em Exercício no Tribunal, no ano de 1979, em decorrência da promulgação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN e por se tratar do Juiz de Direito mais antigo na entrância, ascendeu ao Tribunal de Justiça em data de 11 de maio de 1979”. O Dr. José Barreto de Carvalho ocupou a vaga do Desembargador Aurino Augusto de Araújo Lima no dia 13 de maio de 1979. Ocupou diversas funções: integrante da 1ª Câmara Cível, participou do Conselho Superior de Justiça, Juiz Eleitoral, Corregedor Geral Eleitoral e Presidente do TER-CE. Casou-se com Dona Isinha Barreto de Carvalho com quem filhos, em destaque: José Barreto de Carvalho Filho, Juiz de Direito em Fortaleza, e Aloísio Barreto de Carvalho.   

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

Maria Aglais de Oliveira é anistiada.

MARIA AGLAIS DE OLIVEIRA (Maria Dora, na clandestinidade) é anistiada.
Ela nasceu em Jaguaruana, no estado do Ceará, em 1933.
Aos seis anos de idade perdeu a mãe, que morreu de febre amarela. Seu pai, também contaminado pela febre amarela, dividiu os vinte filhos entre parentes e amigos.

Por Márcia Viotto*

Ela nasceu em Jaguaruana (localidade de Pitombeira), no estado do Ceará, em 1933. Aos seis anos de idade perdeu a mãe, que morreu de febre amarela. Seu pai, também contaminado pela febre amarela, dividiu os vinte filhos entre parentes e amigos. Maria foi parar na cidade de Russas, sendo criada pela sra.Rufina Pereira - viúva, amiga dos seus pais.

Rufina, de origem latifundiária, era muito severa e Maria Aglais, aos sete anos passou a ser a empregada da casa. Ela matriculou Maria Aglais na escola publica até 4º ano primário e depois em uma escola particular administrada pelas freiras. Maria, inteligente e esperta, aproveitou a oportunidade, já tinha uma compreensão da importância de estudar, percebia que era a sua chance de sair daquela situação.

Aos dezoito anos perde sua “mãe” adotiva. Como não tinha herança, as freiras, a convidaram para morar com elas no orfanato. Uma prima chamada Francisquinha, que tinha amizade com o prefeito, conseguiu duas bolsas uma para fazer o curso normal e outra para fazer contabilidade, mas ela acabou fazendo apenas o magistério.

Maria Aglais tinha uma irmã Giselda , que morava em Recife e resolveu nas férias ir até lá visitá-la. Conheceu Maria Gonçalves assistente social que desenvolvida um trabalho na Associação Nordestina de Credito e Assistência Social .Aprovada no treinamento foi trabalhar na zona rural de Pernambuco – em Bom Conselho e Garanhuns.Logo foi promovida a supervisora das equipes, o que lhe permitiu viajar, ao Porto Rico (1963) e depois aos EUA –Nova York, Washington , fazer cursos de atualização e visitar a zona rural .Foi quando se deu conta da pobreza em que vivia o Brasil - o seu nordeste. Não conseguindo conciliar seus estudos com o trabalho pediu demissão e foi procurar a faculdade federal de Pernambuco – passando no vestibular para ciências sociais. Logo depois conseguiu empregar-se na sucursal do Jornal do Brasil como secretaria. Neste período, Miguel Arraes, liderança expressiva foi preso. Começou a tomar contato com militantes da Ação Popular foi participar com elas do movimento estudantil. Os centros acadêmicos foram postos na clandestinidade. Maria foi demitida do Jornal do Brasil.

Então uma assistente social- Judite da Mata Ribeiro- ligada a Igreja que trabalhava na SUDENE conseguiu para Maria participação de um projeto de formação de camponeses para a reforma agrária. Depois Maria Aglais foi indicada como técnica de cooperativa pesqueira na cidade de Ilhéus –BA. Foi ali que se deu conta da divisão de classes. No meio dos pescadores, percebeu a imensa desigualdade daqueles que viviam do dia a dia para comer. A idéia era criar uma cooperativa. Foi então que conheceu o PC DO B – através do dirigente “Gordo” e abraçou o ideário comunista. A partir de 1969 passou a viver na clandestinidade, de fazenda em fazenda de cacau, com o objetivo de conversar com trabalhadores e levar as idéias revolucionarias. Convivia com o pessoal da AP que vendia coisas na feira de Camacã. Foi quando conhece seu futuro marido- Zé. Maria passou a alfabetizar os trabalhadores e começou a ser mais observada. Teve um aborto e depois perdeu um filho recém nascido em acidente.

A situação dos trabalhadores era terrível. Comiam farinha e pimenta. Fugindo em busca de trabalho o casal morou em casa de chão batido e cama de palha. Maria adoeceu. Teve outro aborto.

Foram então para a casa dos pais do Zé – em Itabuna, e trabalhavam com venda de comida na feira.

Em 1973, a direção do PC DO B fez uma reunião e comunicou que a situação estava grave e que o Partido não tinha condições de manter o contato. A família de seu marido havia mudado para SP, então o casal resolveu vir também. Foram morar em um porão na casa de uma irmã de Zé, em S.Miguel Paulista .Maria foi ser cobradora de ônibus, enfrentando várias madrugadas. Engravidou de novo e o medico a aconselhou a não mais trabalhar para poder levar a gravidez a termo. Após o nascimento de sua filha foi trabalhar na fabrica de latas Matarazzo, mas não agüentou. Passou a trabalhar em casa com confecção de costura e ganhava por produção,também trabalhou no hospital da Penha como auxiliar de enfermagem.
Neste momento, seu marido, que trabalhava em uma metalúrgica reencontrou o pessoal do PC DO B na pessoa de Lucia e Creuza. A partir daí retomou a luta, através do movimento contra a carestia, com nossos queridos camaradas Tom (já falecido) e Ana Martins (nossa atual dirigente estadual).Ana trabalhava no Mobral e Maria passou a trabalhar também.Entrou na luta pela moradia e todos os movimentos,o principal deles o movimento contra a carestia. Maria Aglais passou a fazer parte do Zonal da Leste do PC do B.

Daí por diante, a luta pela anistia, pela Amazônia é nossa ,etc.Veio a anistia e Maria Aglais que então era Maria Dora foi retomar sua identidade no Recife (1981) e Ceará onde trabalhou na Coelce (empresa de eletricidade) foi buscar seus documentos, seu tempo de serviço na cooperativa(sem registro).

Com a anistia, o PC do B voltou a legalidade e Maria Aglais passou a atuação na direção do Distrital da Mooca e depois presidente no distrital de Sapopemba-Vila Prudente.
No movimento dos monitores do Mobral se ligou a APEOESP. E a partir daí Maria Aglais começou a participar da vida sindical do movimento dos professores dando aula na escola estadual Caetano de Campos.

O PC DO B participou de uma invasão habitacional na cidade A.E.Carvalho e Maria resolveu entrar junto com 95 famílias. Já separada, com uma filha pequena de 3 anos, nada tinha a perder.

Não tardou ação de despejo do governador biônico Maluf, ficando três dias ao relento negociando um lugar para morar.

As famílias foram alojadas num conjunto habitacional, ainda em construção, que depois foi inaugurado pelo então prefeito Mario Covas do então MDB, em Sapopemba, conjunto Teotônio Vilela, sem água, sem luz, sem escola, sem creche, sem infra-estrutura nenhuma. Maria Aglais foi uma das principais lideranças a organizar e integrar o conjunto (promorar e prédios) criando a associação dos moradores, que passou a reivindicar o funcionamento dos serviços sociais (escolas, creches, luz, água,esgoto,etc) .

Professora da rede estadual e concursada da prefeitura, ministrando aula para o ensino fundamental jovens e adultos, acumulava três cargos. Participava como conselheira da APEOESP e em seguida passou a acumular dois cargos na Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, passando atuar no SINPEEM.

Aposentou-se aos 70 anos de idade na escola publica, por não ter como provar, seu tempo de serviço prestado em função do período de clandestinidade e em 2005 entrou com o processo de anistia, tendo conseguido sua aprovação em setembro de 2009.

Maria Aglais, um ícone do PC do B, pela sua militância aguerrida, fiel, possuidora de uma grande humanidade, exemplo e estimulo a todas que lutam, tem dedicado sua vida a causa do socialismo, não desiste de sonhar que outro mundo é possível. Atualmente milita no Distrital de S. Miguel, junto à terceira idade daquela comunidade e é também membro da diretoria da União Brasileira de Mulheres.

Parabéns e obrigado por você existir em nossas vidas!

Por Márcia Viotto - socióloga, professora, atualmente assessora da CTB- militante do PCdoB -V.Prudente .

sábado, 25 de setembro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO

Abraão de Carvalho (1891-1970)

Nascido no dia 04 de Abril de 1891 na cidade União (atual Jaguaruana, nome este que só veio a ser estabelecido por força da lei nº 1.114 de 30 de dezembro de 1943). Filho de João Nicolau de Carvalho e Maria Santana de Carvalho. Em 1905, segundo os registros, seguiu para Capital Cearense (Fortaleza) para se dedicar ao comércio. Havia reunido alguns recursos que lhe proporcionou bancar essa aventura por conta própria. Amante inveterado dos livros e da música iniciou a colecionar e catalogar partituras, livros de composição, técnica musical, biografia de compositores famosos, colaborando inclusive com a “Revista Brasileira” na publicação de estudos e documentos acerca do grande Carlos Gomes. Não se sabe ao certo em que ano Abraão mudou-se para o Rio de Janeiro. Durante toda a sua vida conseguiu fazer um acervo musicológico de imensurável valor cultural para o país. Trabalhou por quase 50 anos foi funcionário da Companhia Industrial de Papel e Cartonagem de propriedade do então empresário Nicolau Matarazzo, a unidade-fabril era situada à Avenida Jayme Siciliano, nº 01 – Centro, Mendes/RJ, atualmente, foi tombado o prédio em determinação da lei nº 1638/2000 por iniciativa do Deputado André Ceciliano. A sua biblioteca de tão valorosa foi adquirida pelo Governo Federal em 1950 e agrega ao acervo de Divisão de Música da Biblioteca Nacional, o seu acervo recebeu em sua homenagem o nome de “Biblioteca Abraão de Carvalho”, sendo um grande referencial de pesquisa no Brasil para pesquisadores, estudiosos, músicos e professores. Aliás, grande parte de seu acervo pode ser acessado no site da Biblioteca Nacional. Abrão de Carvalho morreu no Rio de Janeiro no ano de 1970, precisamente, no dia 5 de maio.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DOS FILHOS DESTE SOLO


Maria Marluce Moreira Pinto, conhecida por “Marluce Pinto” nasceu na cidade de Jaguaruana-Ceará, no dia 03 de junho de 1938, filha de José Severino Moreira e Laura Correia Moreira. Concluiu seu ensino médio no Colégio São João (segundo dados extraídos do site do Senado). Marluce Pinto é empresária e personalidade política. Ingressou na política através de seu esposo Ottomar Pinto, grande político de Roraima, que morreu no dia 11 de dezembro de 2007, ocasionado por um infarto. Marluce Pinto, mesmo sentido a parca de Ottomar, decidiu continuar na política. No pleito de 2010, Marluce é candidata ao Senado com visíveis chances de ganhar o pleito.

Contudo, faz-se necessário contar um pouco da trajetória política de Marluce Pinto, ainda que seja uma tarefa árdua. Primeiramente, Marluce Pinto foi eleita Governadora de Roraima no quadriênio de 1979 a 1983. No ano de 1987 consagrou-se Deputada Federal, conseqüentemente, participou diretamente da Assembléia Constituinte de 1988 da qual culminou a instituição da Carta Magna que até hoje rege nosso parâmetro jurídico. Com esse acontecimento a história política de Marluce Pinto que se dava no território regional auferia projeções nacionais, numa época em que as mulheres quase nem tinha espaço de atuação política. Certamente o futuro lhe reservaria algo ainda mais louvável e um marco para a luta das mulheres na política. No pleito de 1990, a primeira eleição por voto direto da História Republicana do País, Marluce Pinto faria mais uma vez consagração histórica. A sua vitória política como senadora para o mandato de 1991 a 1995, tornou Marluce Pinto e Júnia Marise às primeiras senadoras eleitas por voto direto da história republicana.

 Homenagens Recebidas
     - Medalha do Mérito Tamandaré, Ministério da Marinha, Brasília, DF;
     - Medalha do Mérito Cruz de Mauá, Ministério dos Transportes, Brasília, DF;
     - Medalha do Mérito Centenário de Boa Vista, Governo de Roraima, 1990;
     - Medalha de Honra ao Mérito da Associação dos Juízes Classistas da Justiça do Trabalho, 1992;
     - Medalha de Honra ao Mérito do Ministério da Aeronaútica, 1992;
     - Condecoração, no Grau de Benemérito, atribuído pelo Conselho Universitário da Universidade Federal de Roraima - UFRR, 1994;
     - Condecoração, no Grau de Grande oficial, atribuída pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República ao acolher proposta do Conselho da Ordem do Mérito das Forças Armadas, 1994;
     - Ordem do Mérito Aeronáutico - Dia do Aviador, Ministério da Aeronáutica, 1996.
     
 Trabalhos Publicados

     - Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que apurar denúncias sobre o Trabalho de Crianças e de Adolescentes no Brasil - Separata. Roraima Presente - Separata.
     - Código Brasileiro. Legislação Eleitoral - Separata. Áreas de Livre Comércio - Separata. - Relatório Final. Projeto Calha Norte - Separata.
     - Discursos da Senadora Marluce Pinto - Separata. Dia Internacional da Mulher - Separata. - Decreto-Lei nº 022, de 1991 - Separata. SIVAM - Uma questão de Soberania Nacional - Separata.
     - Farmácias, Drogarias e Ervanários - Separata. Mulher - Separata. Mercosul - Apostila.
     - A Voz do Brasil - Separata.
     - IV Conferência Mundial sobre a Mulher - Separata.
     - Código de Defesa do Consumidor.